Cientistas procuram por alienígenas microscópios

Diferente daqueles alienígenas que estamos acostumados a ver em filmes, os tipos de alienígenas que a astrofísica Sarah Rugheimer procura, são outros. Em uma palestra TED de março de 2021, Sarah relata seu estudo com micróbios extraterrestres.
Publicado em Ciência dia 28/11/2021 por Alan Corrêa

Diferente daqueles alienígenas que estamos acostumados a ver em filmes, os tipos de alienígenas que a astrofísica Sarah Rugheimer procura, são outros. Em uma palestra TED de março de 2021, Sarah relata seu estudo com micróbios extraterrestres.

“Quando pensamos em vida extraterrestre, tendemos a pensar em pequenos homenzinhos verdes, não em micro-organismos unicelulares. Mas poder detectar sinais de vida microbiana em outro planeta é o que me deixa mais otimista, e é esse o foco da minha pesquisa.” Diz a astrofísica.

Descobrindo vida alienígena

Sarah Rugheimer, astrofísica e TED Fellow, procura alienígenas, mas não os homenzinhos verdes dos desenhos animados.
Sarah Rugheimer, astrofísica e TED Fellow, procura alienígenas, mas não os homenzinhos verdes dos desenhos animados.

Encontrar organismos unicelulares pode significar que não estamos sozinhos no universo, os gases que esses organismos emitem indicam vida. Isso porque, 21% da nossa atmosfera são oxigênio, e quase todo esse oxigênio vem de seres vivos.

“É isso que vamos tentar fazer na próxima década na astronomia: encontrar sinais de vida microbiana em planetas que orbitam outras estrelas.” Conta Sarah.

Porém, para chegar a esse ponto há dois grandes obstáculos, o primeiro é criar um telescópio grande o bastante capaz de detectar a atmosfera de um planeta, mesmo estando a anos-luz de distância, e o segundo é conseguir interpretar o que será encontrado.

Ela procura por micróbios extraterrestres, estudando como esses organismos unicelulares emitem gases, o que pode indicar a existência deles no universo.
Ela procura por micróbios extraterrestres, estudando como esses organismos unicelulares emitem gases, o que pode indicar a existência deles no universo.

Ter uma tecnologia capaz disso é extremamente complicada, além de que só detectar oxigênio em outro planeta não significa que há vida, pois também é possível obter oxigênio sem biologia.

“Tento compreender a geologia de um planeta e a radiação de sua estrela para podermos identificar melhor um sinal verdadeiro de vida.” Informou a astrofísica Sarah Rugheimer.

Alguns estudos já foram feitos em nosso planeta vizinho, Vênus, porém com sua superfície com temperatura de quase 482 °C, ninguém espera encontrar vida lá. Mas se isso acontecesse, a pergunta seria: como essa forma de vida se alimenta ou se reproduz?

Segundo Sarah, a forma para uma descoberta dessa seria começar detectando a fosfina, e verificando esse gás em si, para saber se realmente vem de formas de vida e não de algum processo geológico ou fotoquímico inesperado.

Assim como Vênus, os outros planetas também são estranhos e inesperados, alguns têm a densidade de algodão-doce, e outros têm chuva de ferro fundido, o que tornaria difícil a existência de vida. Portanto, só observar os gases de bioassinatura não seria o suficiente para entender completamente um planeta e dizer que ele tem vida.

Diante de tudo isso, mesmo que seja encontrado algo é preciso saber bem se essa pista é um sinal de vida ou não.

“Bem, primeiro, precisaremos entender o máximo possível sobre a geologia do planeta e da estrela que ele orbita. Aprenderemos lições vitais explorando nosso próprio sistema solar em lugares como Vênus e Marte.” Explica Sarah

Pode não haver uma resposta clara sobre vida alienígena em outros planetas, por isso ainda há quem se sinta sozinho no universo, e enquanto não tiver um sinal inteligente tipo “Olá, terráqueos!“, talvez ainda nos sintamos sozinhos, mesmo se descobrirmos que não estamos sós no universo.

Se os pesquisadores encontrarem só mais um outro sinal de vida, isso diria que então o universo provavelmente está repleto dela, de formas unicelulares a complexas. Será preciso tentar e tentar sempre, mesmo que haja incertezas nesta jornada.