Como a tecnologia está deixando o mundo mais acessível

Vemos continuamente o avanço da tecnologia nas mais diversas áreas: setor automobilístico, comunicação, mobilidade urbana, e muitos outros. Mas somos tentados a esquecer um outro aspecto muito importante deste avanço, a acessibilidade. Neste artigo vamos contar pra você algumas histórias impactantes de pessoas que, por causa de suas deficiências, estão ajudando a construir um futuro mais acessível para as pessoas de todo mundo. Quem sabe você não comece a fazer parte desse grande projeto?
Publicado em Ciência dia 17/09/2021 por Alan Corrêa

Vemos continuamente o avanço da tecnologia nas mais diversas áreas: setor automobilístico, comunicação, mobilidade urbana, e muitos outros. Mas somos tentados a esquecer um outro aspecto muito importante deste avanço, a acessibilidade.

Neste artigo vamos contar pra você algumas histórias impactantes de pessoas que, por causa de suas deficiências, estão ajudando a construir um futuro mais acessível para as pessoas de todo mundo. Quem sabe você não comece a fazer parte desse grande projeto?

Jason Barnes e seu amor pela bateria

Jason Barnes é um jovem norte-americano que começou a tocar bateria mesmo antes de aprender a falar. “Eu lembro quando ele tinha dois anos de idade, sempre que colocávamos música para tocar, ele começava a batucar na cadeirinha, na mesa de jantar ou em qualquer coisa que estivesse ao alcance dele”, conta sua mãe.

Mas aos 22 anos de idade, Barnes sofreu um acidente elétrico e precisou amputar parte do braço. Mas cerca de 10 anos depois do acidente, a paixão pela música o levou a procurar uma solução.

Foi quando encontrou Gil Weinberg, um reconhecido roboticista, fundador e diretor do Georgia Tech Center for Music Technology, no Instituto de Tecnologia da Geórgia. Juntos, começaram a desenvolver um braço robótico baterista.

Jason e a equipe da universidade Georgia Tech
Jason e a equipe da universidade Georgia Tech treinando o reconhecimento de gestos

O que é e como funciona o braço robótico baterista?

Em 2013, Barnes e Weinberg começaram a desenvolver o que hoje é o mais avançado braço robótico baterista do mundo. A versão mais recente do dispositivo utiliza uma plataforma de código aberto que é do próprio Google, e que serve para aprendizado de máquina, o TensorFlow.

Segundo Sarah Sirajuddin, líder de engenharia da equipe do TensorFlow do Google, a “tecnologia gratuita e acessível para todos acelera e aumenta a inovação”. Explica ainda que o objetivo do aprendizado desse tipo de máquina pretende fazer com que elas possam realizar tarefas que antes dependiam da inteligência humana, como a percepção visual, fala, tomada de decisão, entre outras.

Mas porque isso? Sirajuddin explica que o “objetivo é projetar algo tão fácil de usar quanto o Gmail”, pois “quanto mais acessível a tecnologia, mais as pessoas conseguem criar as próprias soluções”. Isso é uma ideia genial, pois ao invés de construir um protótipo sem experiências, o projeto evolui à medida que a pessoa que precisa do dispositivo vai experimentando e orientando os pesquisadores.

"Jason transformou um grande contratempo na vida dele em um motivo para avançar todo um campo de pesquisa."
“Jason transformou um grande contratempo na vida dele em um motivo para avançar todo um campo de pesquisa.”

Um testemunho emocionante

Esse tipo de iniciativa pode mudar a vida das pessoas de verdade. Nesse sentido, Jason Barnes deu um testemunho emocionante: “tive sorte de participar desse processo. Antes, sempre havia uma curva de aprendizado para eu me ajustar a um novo dispositivo. Mas agora, foi o dispositivo que se ajustou a mim”.

Com ajuda dessa tecnologia e do projeto braço robótico baterista, Barnes conseguiu realizar o sonho de criança. Hoje ele é um músico profissional e atua com o grupo de percussão Marching to Harmony, de Atlanta. Assim, transformou um enorme contratempo em sua vida num motivo para ajudar todo um campo de pesquisa.

Jason tocando com o grupo de percussão Marching to Harmony, de Atlanta
Jason tocando com o grupo de percussão Marching to Harmony, de Atlanta

Importância da colaboração de todos

Assim como Jason Barnes ajudou a desenvolver um braço robótico baterista, você e eu podemos ajudar a desenvolver alguma outra tecnologia que servirá para muitas outras pessoas.

A colaboração da comunidade é um aspecto fundamental para o desenvolvimento de novas tecnologias que atendam a necessidades específicas de pessoas com deficiência. Mas não apenas pessoas com tais necessidades podem colaborar.

Em 2018 deu-se início a um novo projeto, o Euphonia, onde milhares de pessoas gravaram mais de mil horas de amostras de suas respectivas falas. O objetivo é desenvolver uma tecnologia que ajude pessoas que têm dificuldade com a fala.

Contudo, ainda não existe o material necessário para completar o estudo. Por isso, a equipe do Project Euphonia está contando com a ajuda de parceiros do Instituto de Desenvolvimento Terapêutico ALS TDI, na coleta de dados.

Jason tocando com o grupo de percussão Marching to Harmony, de Atlanta
Jason tocando com o grupo de percussão Marching to Harmony, de Atlanta

O efeito borboleta

Annie Jean-Baptiste, diretora de inclusão de produtos do Google, disse certa vez que “No fim das contas, são as pessoas que mudam o mundo. A tecnologia é apenas uma ferramenta que as ajuda a fazer isso”. A frase não poderia ser mais verdadeira.

Um estudo recente apontou que cerca de 1 bilhão de pessoas, o que representa mais de 15% da população mundial, possuem alguma forma de deficiência. Garanto que é muito mais do que você imaginava.

Porque essas pessoas não podem ter o mesmo acesso à informação, por exemplo, como as pessoas que não têm deficiência? Informação é sinônimo de independência e liberdade, e deve ser oferecida para todos.

O que você pode fazer para ajudar
O que você pode fazer para ajudar

O que eu posso fazer?

Todos nós podemos ajudar de alguma forma. Você deve estar se perguntando como fazer isso, não é? Vai depender apenas de você. O Google está possibilitando diversos projetos com os quais você pode contribuir.

Um deles é justamente o Project Euphonia. Nele você pode gravar sua voa com objetivo de ajudar pessoas com dificuldade na fala a se expressar de forma mais clara para que os circunstantes consigam entender.

Além disso, você também pode contribuir com informações sobre a acessibilidade, de modo que o Google Maps seja ainda mais útil para as pessoas. Por fim, você ainda pode se unir ao Google para ajudar o Steps of Faith, que ajuda as pessoas com o fornecimento de membros prostéticos gratuitos.